Meu nome é Toddy, essa é minha história
por
Juliana Mori
Hoje, dia 10 de
setembro de 2009, recomecei minha vida! Eu tenho dois anos de idade e fui criado
com muito amor e carinho pelo meu anjo da guarda, a minha dona Luciana. Vivemos
um ano juntos, mas ela teve que se mudar e me deixou com outra pessoa. Assim,
fiquei tomando conta da casa onde sempre morei, afinal, sou um cão de guarda.
Poucos meses
atrás, eu fiquei doente, emagreci, não conseguia comer e meu corpo doía. Eu tentava
pedir ajuda olhando nos olhos das pessoas, mas parece que ninguém se preocupava
comigo. Nenhum doutor veterinário veio me examinar e, quando eu menos esperava,
adivinhem? Fui colocado na rua! Justo eu, que tanto defendia a casa de meu dono
com minha própria vida.
Perambulei
por toda a cidade pedindo água, comida e abrigo. Em Unai tem pessoas muito boas
que nos dão até pedacinhos de carne e pão, mas também tem humanos que nos dão
pedradas e pontapés. Certo dia eu estava andando por aí e avistei meu amiguinho,
o filhinho da minha ex-dona, dentro de um carro. Pude reconhecê-lo de longe, então,
saí correndo atrás para alcançá-lo, mas o carro não parou. E ainda quase fui atropelado
por uma moto em alta velocidade! Que tristeza!
Andei
mais alguns dias e noites pelas ruas até que farejei um odor familiar. Fazia lembrar
minha infância, quando eu era um filhotinho sapeca e cheio de energia. Lembrei-me
dos afagos e das brincadeiras com a minha dona. Aquele cheirinho era uma pista
que podia me levar ao meu passado. Farejei, farejei até que cheguei no portão
de uma casa. O odor estava mais forte e então comecei a latir desesperadamente,
pois eu descobri de quem era aquele cheiro. Então, apareceu na porta uma figura
feminina, mas ainda não era ela. Essa mulher correu para os fundos e disse para
alguém que havia um cachorro latindo no portão. Olhei um pouco desconfiado, mas
finalmente pude ver o meu anjo da guarda, Luciana. Sem pestanejar, ela abriu o
portão e me colocou para dentro do meu novo lar. Apesar de ser um local desconhecido
para mim, sinto-me agora "em casa", pois estou cercado de amigos. Por sorte minha,
agora eu também tenho a companhia de um outro cãozinho, o Nicky, que é muito brincalhão.
Sei que agora
serei muito bem cuidado. A minha dona até já chamou uma veterinária para cuidar
de mim. Ela colheu amostras do meu sangue para fazer alguns exames. Hoje, 10 de
setembro de 2009, posso dizer que sou um cão feliz!
A
história do Toddy emocionou a todos aqui da Clínica Veterinária Pet STop Unai.
Assim como ele, muitos cães são abandonados na rua no momento em que eles mais
precisam dos seus donos. Infelizmente sabemos de muitas outras histórias semelhantes.
Em homenagem a todos os animais que sofreram e morreram por abandono, resolvi
escrever esse depoimento e, principalmente, para que os proprietários desses bichinhos
sejam mais conscientes e responsáveis pela vida desses seres, erroneamente denominados,
"irracionais".
Aproveito
ainda a oportunidade, para agradecer a todas as pessoas que se comovem com o sofrimento
dos animais e que realmente tomam alguma atitude. Conheço pessoas boas que adotam
bichinhos abandonados, sem importar se são de raça ou não, se são filhotes ou
idosos, se são deficientes ou não... Há pessoas que preferem doar medicamentos,
rações, ou até mesmo dinheiro para entidades de proteção animal. E há também aqueles
que não ajudam, mas pelo menos não maltratam os bichinhos. Que Deus abençoe todos
esses seres humanos especiais e que recebam em dobro todo o carinho e respeito
que têm por outras espécies animais.
Unaí,
17 de setembro de 2009

Juliana
Mori
(médica veterinária com pós-graduação em Clínica e Cirurgia de Animais
Selvagens e Exóticos)

CLÍNICA
VETERINÁRIA PET STOP UNAI
Rua Celina Lisboa Frederico, 372
(38) 3676-9449
(38) 9116-9376
e-mail: petstopunai@yahoo.com.br